sábado, 11 de junho de 2016

Portal da Biblioteca Digital Luso-Brasileira disponibiliza acervos das bibliotecas nacionais do Brasil e de Portugal

Portal da Biblioteca Digital Luso-Brasileira disponibiliza acervos das bibliotecas nacionais do Brasil e de Portugal
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Esta aquarela feita por Thomas Ender em 9 de abril de 1817 a bordo da fragata Áustria em sua viagem para o Rio de Janeiro, que retrata passageiros como os naturalistas viajantes Johann Baptist Spix e Karl Friedrich Philipp von Martius, é um exemplo do que se encontra no acervo do portal da Biblioteca Digital Luso-Brasileira, lançada em 10 de maio na Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro.
Biblioteca Digital Luso-Brasileira é resultado de um esforço conjunto das bibliotecas nacionais do Brasil e de Portugal para disponibilizar os acervos digitais das duas instituições num mesmo espaço virtual. Integram o acervo documentos históricos como a carta de abertura dos portos (1808) e a carta de D. João VI a seu filho, D. Pedro I (1822).
Além dos acervos digitais das duas bibliotecas e dos repositórios digitais nacionais gerenciados por elas – RNOD por Portugal e Rede Memória Virtual Brasileira –, integram a Biblioteca Digital Luso-Brasileira preciosidades como manuscritos dos séculos XVI e XVIII pertencentes ao Arquivo Histórico Ultramarino, levantados pelo projeto Resgate Barão do Rio Branco. Esse acervo trata da vida pública e privada dos habitantes das 18 capitanias, que atualmente correspondem a 22 estados brasileiros. Acesse o portal.
 Fonte: http://www.revistahcsm.coc.fiocruz.br/portal-da-biblioteca-digital-luso-brasileira-disponibiliza-acervos-das-bibliotecas-nacionais-do-brasil-e-de-portugal/

A Carta de Pero Vaz de Caminha: o “achamento” do Brasil

 "Ervas compridas” chamadas “rabos de asno”, o grito de gaivotas, os contornos de “um monte” ao cair da tarde, indicaram aos membros da maior armada portuguesa jamais enviada às Índias, terem chegado a algum lugar desconhecido. O registro do fato foi cuidadosamente anotado na chamada “certidão de nascimento” do Brasil.
Revelada apenas no século XIX, a Carta de Caminha é considerada um dos documentos fundadores de nossa história. Há décadas, a denominação pomposa dada pelo historiador Capistrano de Abreu demonstra o sentimento que se tinha então: os portugueses teriam “descoberto” o Brasil. Hoje, se sabe que muitos navegadores europeus já tinham visitado as costas da América do Sul. E prefere-se o termo “achamento” usado por Caminha e interpretado por filólogos como uma espécie de busca proposital. E busca que iria definir o contato entre diferentes culturas.
Carta trata da viagem da esquadra comandada por Pedro Alvarez Cabral, filho, neto e bisneto de conquistadores, mais militar do que navegador, então com 32 anos, até o Brasil. Tendo deixado Lisboa a 9 de março de 1500 pela manhã, Cabral seguiu os conselhos de Vasco da Gama: que aproveitasse melhor as correntes do Atlântico no rumo do Oeste. Alguns historiadores consideram que dois anos antes, Gama teria passado tão perto do Brasil que pode sentir sua presença. A continuação da viagem está relatada em outro documento importante, a Relação do Piloto Anônimo, realizada por um dos tripulantes da mesma frota, que inseriu a passagem pela então Terra de Vera Cruz, na longa aventura da viagem até o subcontinente asiático. Ao cotejar os dois textos, vê-se que a chegada às praias do recôncavo baiano não teve na época a importância que o tempo lhe consagrou.
Em vinte e sete páginas manuscritas e datadas de 1. de maio de 1500, o escrivão Pero Vaz de Caminha informa ao rei de Portugal D. Manuel, os principais acontecimentos ocorridos durante a estadia da tripulação no país, bem como as primeiras impressões sobre a terra. Terra povoada por cerca de três milhões de “índios”, assim chamados, pois, desde a chegada de Colombo à América, em 1492, se acreditava ter chegado às Índias.
Com precisão jornalística, Caminha narra os dez dias que passaram ao sul do litoral baiano: o primeiro contato no dia 23, o sono dos índios no tombadilho no dia 24, a lavagem de roupa no dia 26, a primeira missa no Brasil no dia 29, o erguimento de uma grande cruz até o dois de maio, em que deixaram na praia dois degredados aos prantos. De caráter informativo, a carta não traz informações científicas ou cosmográficas. Registra, sim, e de forma impressionista as primeiras reações ao novo. O início do que alguns teóricos denominam “a construção do outro”. Para descrever o desconhecido, lançava-se mão da comparação, sublinhando-se as diferenças. A esse inventário, Caminha se dedicou com afinco: os indígenas não saudavam as pessoas como os europeus. Eles eram “pardos de maneira avermelhados, andavam nus, tinham cabelos corredios”, “bons rostos e bom narizes”. Andavam “tosquiados e rapados até acima das orelhas” e carregavam arcos e flechas. Traziam furados os beiços de baixo e metidos neles ossos brancos. Sua inocência era confirmada pelo fato de não enxergarem seus corpos como instrumentos de pecado. Sobretudo as mulheres. Suas “vergonhas cerradinhas e tão limpas das cabeleiras” não embaraçavam o olhar guloso dos portugueses. E se as “mulheres de nossa terra” as vissem, morreriam de inveja por “não terem as suas como as delas”. Deram aos navegantes várias demonstrações de hospitalidade e bom tratamento. E ao som de uma gaita, dançaram juntos.
Outro recurso narrativo usado na época era a projeção. Os nativos seriam bons ou maus? Bons quando ajudavam. Quando indicavam que haveria ouro no interior. Quando auxiliavam a missa ou carregavam os navios com água e lenha. Maus quando se esquivavam e não queriam colaborar. Frente ao comportamento arisco e desconfiado dos indígenas, Caminha os relacionou a animais. Depois de tê-los exaltado – oferecendo elementos para que o filósofo francês, no século XVI, Montaigne desenhasse a imagem do bom selvagem – o escrivão começa a detratá-los: não agradeceram os presentes dados, não demonstravam gratidão, eram gente “bestial e de pouco saber”, nada criavam: nem bois, nem galinhas, nem cabras. Do ponto de vista de Caminha, seriam ou colaboradores ou empecilhos para a Coroa.
Caminha não registrou as inúmeras roças, a volta das tabas – pois os indígenas conheciam bem a agricultura. Tampouco observa que os índios não estranharam a troca de objetos – cocares por chapéus, por exemplo. Ele encerra a carta com sugestões: que os índios fossem convertidos. Era preciso “salvar essa gente”.  E que a terra servisse à agricultura. Rios límpidos e abundantes ajudariam a “dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem”. Os ares “frios e temperados” eram ótimos. Ouro, prata e metais? Nenhum à vista. O escrivão deixa a Terra de Vera Cruz sem perceber a riqueza do pau-brasil que no século seguinte azeitaria o comércio entre as duas margens do Atlântico.
Nascido no Porto, Caminha pertencia à família respeitável e exercia o ofício de mestre da balança de moeda como seu pai. Tinha cerca de cinqüenta anos quando se juntou à frota de Cabral com a missão de tornar-se escrivão na futura feitoria de Calicute, costa ocidental da Índia. Ali, morreria chacinado por comerciantes árabes, anos depois.
O documento teve uma trajetória curiosa. Publicado pela primeira vez, em 1817, mais de trezentos anos depois de ter sido redigido, ele apareceu, como parte da Corografia brasílica…, de autoria do padre Manuel Aires de Casal. Essa versão, porém, foi mutilada, pois susceptibilidades do religioso impediram-no de reproduzir passagens mais cruas. Uma cópia, guardada no Arquivo Real da Marinha, no Rio de Janeiro, teria sido transportada entre outros documentos trazidos por D. João VI, quando da transmigração da família real portuguesa para o Brasil. Antes, ela dormia nos arquivos da Torre do Tombo, em Lisboa, onde foi recuperada, em 1773, por ordem do guarda-mor José de Seabra da Silva, hoje considerado o descobridor da Carta de Caminha. Capistrano de Abreu foi quem a reconstituiu, em 1908, com todos os detalhes antes censurados ou truncados.
Carta conquistou o público leitor além de estudiosos, teve várias edições e traduções em várias línguas. Ela não foi o único registro sobre a chegada ao Brasil. Como informa Caminha, “outros capitães”, inclusive Cabral, escreveram ao rei. Afinal, um “achamento” só fazia sentido quando sua descrição voltava para a Europa, influenciando a nação conquistadora. Nesse momento, o Brasil estava longe de interessar por si mesmo. Seria um lugar de passagem. Uma parada a caminho da conquista mais promissora: as Índias onde os aguardava as preciosas especiarias. E outras “façanhas e feitos nobres” que inflamavam a imaginação.
  • Texto de Mary del Priore.
Bibliografia:
BUENO, Eduardo. “Brasil, uma história, a incrível saga de um país”, São Paulo, Ática, 2003.
——-, A viagem do descobrimento: a verdadeira história da esquadra de Cabral, Rio de Janeiro, Objetiva, 1998.
O’GORMAN, Edmundo. “A invenção da América”, São Paulo, UNESP, 1992.
CORTESÃO, Jaime. “A carta de Pero Vaz de Caminha”, Rio de Janeiro, Livros de Portugal, 1943
AMADO, Janaína e Luís Carlos Figueiredo, “Brasil, 1500: 40 documentos”, Brasília, EDUNB, São Paulo, Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2001.
HOLANDA, Sérgio Buarque de. “O descobrimento do Brasil”, in História Geral da Civilização Brasileira, tomo I, São Paulo, Difel/Difusão Editorial S.A.,1976.
TODOROV, Tzvetan. “A conquista da América”, a questão do Outro, São Paulo, Martins Fontes, 2010.

Ditadura militar: os crimes do coronel Ustra

Ditadura militar: os crimes do coronel Ustra
Protesto em frente a casa do coronel  Carlos Alberto Brilhante Ustra, em 2014 (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
Protesto em frente a casa do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, em 2014 (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
Na votação da abertura do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, realizada na Câmara dos Deputados, no dia 17 de abril, o discurso do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) foi motivo de muita polêmica. Antes de proclamar o seu voto pelo “sim” ao impeachment, Bolsonaro homenageou o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, morto em 2015. Nas palavras do deputado, Ustra foi “o pavor de Dilma Rousseff”.
Quem foi o coronel Ustra
Entre 1970 e 1974, o coronel Ustra comandou o Doi-Codi, o principal centro de repressão do Exército em São Paulo, durante a ditadura militar. Era para lá que a polícia levava os opositores do regime. Nas dependências do Doi-Codi, os detentos eram interrogados e torturados – muitos deles foram assassinados.
Segundo o projeto Brasil Nunca Mais, no período em que Ustra esteve à frente do Doi-Codi pelo menos 500 casos de tortura foram cometidos nas dependências do órgão. O próprio Ustra é acusado pelo desaparecimento e morte de ao menos 60 pessoas.
A presidente Dilma, que militou em organizações de esquerda contra a ditadura durante os anos 1960, foi uma das vítimas de tortura dentro do Doi-Codi, em 1970 – daí a referência de Bolsonaro a ela durante o discurso em que homenageou Ustra. Dilma permaneceu presa até 1972.
As acusações contra Ustra
Entre 2011 e 2014, a Comissão Nacional da Verdade investigou as violações de direitos humanos ocorridas durante a ditadura militar no Brasil, entre 1964 e 1985. O seu relatório final concluiu que 377 pessoas devem ser responsabilizadas pela prática direta ou indireta de tortura e assassinatos no período. Entre os acusados pelas violações estava o coronel Ustra.
Além disso, ele é o único torturador reconhecido oficialmente pela Justiça: em 2008, o Tribunal de Justiça de São Paulo condenou Ustra como responsável pelas torturas sofridas por Maria Amélia de Almeida Teles, César Augusto Teles e Criméia de Almeida, em 1972, no Doi-Codi.
Em 2012, foi condenado a pagar indenização a parentes de do jornalista Luiz Eduardo Merlino, vítima da repressão. Por fim, em 2015, o Ministério Público denunciou Ustra pela morte de Carlos Nicolau Danielli, sequestrado e torturado no Doi-Codi, em 1972.
A lei de Anistia
O coronel Ustra morreu em outubro de 2015, aos 83 anos, em decorrência de um câncer. Mas se ele teve todas essas denúncias e condenações contra si, por que jamais foi punido?
A questão envolve a Lei da Anistia, sancionada em 1979, que selou um acordo entre o regime militar e seus opositores. Ela permitiu a libertação de opositores presos e o retorno de exilados políticos ao Brasil. Por sua vez, os militares e os agentes públicos envolvidos em casos de tortura e assassinato também foram anistiados.
No entanto, na visão da Comissão Nacional da Verdade e de muitos juristas, a Lei de Anistia não deve impedir que os autores desses crimes sejam julgados. Isso porque as mortes, torturas e desaparecimentos ocorridos durante a ditadura constituem crimes contra a humanidade. Nessas situações os crimes são imprescritíveis, não passíveis de anistia. Instituições supranacionais como a Corte Interamericana de Direitos Humanos pressionam para que essas violações sejam apuradas e seus autores, punidos.
Apologia a um criminoso
Ao dedicar seu voto à memoria do coronel Ustra, o deputado Jair Bolsonaro provocou indignação em diversas entidades de defesa dos direitos humanos. A Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro (OAB/RJ) anunciou que irá pedir no Supremo Tribunal Federal a cassação do deputado por infringir o Código Penal ao fazer apologia a um autor de crime.
Fonte: guiadoestudante.abril.com.br/

Início da Rebelião de Páscoa em Dublin, Irlanda. - 1916

Início da Rebelião de Páscoa em Dublin, Irlanda. - 1916
Em Dublin, nacionalistas irlandeses liderados por Patrick Pearse (1879-1916) promovem a Revolta de Páscoa contra o governo britânico. Um grupo de irlandeses ataca as sedes das delegações do governo de Dublin e cercam o posto dos correios. Depois destes breves ataques proclamam a independência da Irlanda. Na manhã seguinte, a cidade parece estar sob o seu controle. Contudo, ao longo do dia 25, as autoridades britânicas lançam uma contra-ofensiva que se prolongou até ao dia 29, esmagando definitivamente a rebelião. Pearce e outros 14 nacionalistas foram executados por causa da sua participação na Revolta da Páscoa. Hoje em dia são considerados mártires e heróis por muitos irlandeses. O conflito armado continuou e, finalmente, em 1922, foi assinado um tratado de estado livre para a Irlanda, que conseguiu a sua independência. No entanto, o acordo não satisfez toda a todos uma vez que seis condados do norte da ilha permaneceram sob a coroa britânica, circunstância que deu origem ao IRA, o Exército Republicano da Irlanda.

Fonte: www.sohistoria.com.br

Entre a história e a crítica literária

Entre a história e a crítica literária
13.03.22_Ricardo Musse_Entre a história e a crítica literária_2


A oscilação entre as tentativas de crítica literária e a tarefa de historiador – presente tanto na vida profissional de Sérgio Buarque de Holanda dedicada ora ao jornalismo, ora ao ensino, quanto nas próprias obras que também poderiam ser organizadas segundo estas vertentes – perpassa seu livro póstumo Capítulos de literatura colonialadquirindo aí, precisamente pela confluência e paroxismo dessas tendências, um estatuto que talvez ilumine essa conexão ao longo de toda a sua obra.

Afinal, Capítulos… articula a leitura de textos, sua avaliação e inserção no complexo literário com o tratamento biográfico e historiográfico dos autores e dos estilos, procurando identificar ideias, modos de sentir, e, estabelecer, assim, seus significados históricos e culturais. Se, portanto, é possível discernir, por um lado, o manejo do aparato de crítico literário na abordagem da métrica, na identificação de tropos ou na análise ponderada dos valores estéticos das obras, por outro lado, torna-se visível – seja na reconstituição filológica de textos, seja na pesquisa empírica levada a cabo junto à Arcádia Romana – a mão do historiador.

O resultado final e a organicidade do todo, no entanto, nos obrigam a suspeitar que haja mais conexões entre estes polos do que acreditam aqueles intérpretes que enfatizam a dicotomia na obra de Sérgio Buarque.

Nos trechos onde prevalece o enfoque daquela disciplina acadêmica que requer a simultaneidade destes dois saberes – a história da arte –, o crítico e o historiador se superpõem harmonicamente. Assim, em páginas magistrais Sérgio Buarque nos encaminha para o entendimento da especificidade de épocas e de universos mentais distintos do nosso, destacando, por exemplo, a premissa racionalista que nos impede de compreender como pôde Vieira conciliar, ao mesmo tempo, a crença sebastianista e o pragmatismo econômico.

A tensão dialética, as interferências entre o arsenal e o enfoque do historiador e do crítico nem sempre se resolvem na reconciliação marcada pela figura do historiador da literatura. Nos momentos mais interessantes do livro essas vertentes entrecruzam-se gerando novas modalidades: o historiador crítico, revisitando o passado com um olho na historiografia presente (e que não hesita em desmentir Afrânio Coutinho e Gilberto Freyre), ou o crítico historiador, reconstituindo eruditamente as conexões internas e externas, sociais e literárias, de um poema.

No andamento da obra, ou melhor, na sua composição, estas interferências ficam ainda mais claras. Afora os apêndices que contêm um esboço incompleto da biografia de Vieira e um panorama introdutório da literatura colonial, o livro pode ser dividido em três partes: um capítulo sobre a poesia épica, um ensaio que procura determinar a singularidade teórica do Arcadismo e um longo estudo sobre Cláudio Manuel da Costa.

A novidade do primeiro capítulo – a construção de uma sequência que, longe do gradualismo ou da cronologia, privilegia a persistência, através das diversas vertentes do gênero épico, de conjuntos temáticos e estilos de época – é contrabalanceada pelo segundo ensaio dedicado a uma rigorosa delimitação do Arcadismo, separando-o do Barroco e do pré-romantismo. A atenção de Sérgio Buarque à relação entre continuidade e ruptura – uma constante em seus escritos, num diálogo permanente com o historicismo e a escola dos Annales – transmuta, porém, questões específicas da crítica literária, tais como a determinação e filiação a estilos de época, em questões mais gerais da historiografia, de tal forma que o estudo sobre Cláudio Manuel da Costa deve ser visto como uma síntese dessas relações entre processo, tradição e inovação, ruptura.

Nessa ótica, Capítulos de literatura colonial, estudo da vida espiritual numa de suas formas mais elaboradas, complementa a reconstituição da vida material durante os tempos coloniais levada a cabo em Caminhos e fronteiras. Ambos tematizam a formação social e cultural do Brasil, detendo-se em processos paralelos: neste, a fronteira cultural gerada pela chegada do europeu, as novas modalidades de convívio, a mistura étnica e a aculturação são examinadas à luz de uma experiência concreta e efetiva de diluição e recuperação do legado europeu. Já em Capítulos…, trata-se de mostrar como a tradição literária do Ocidente se aclimatou no Brasil, mantendo seus recursos expressivos e, ao mesmo tempo, incorporando a realidade e as aspirações locais.

Torna-se inevitável uma comparação com Formação da literatura brasileira, de Antonio Candido. A comunhão de uma série de pressupostos indica semelhanças entre essas obras, seja na determinação das fontes culturais do Arcadismo brasileiro, na compreensão da especificidade da mimese arcádica, na ênfase no papel da comunicabilidade ou na discordância em relação ao estatuto dado à nossa literatura colonial pelos românticos. Outros fatores, porém, tais como a determinação das influências da literatura italiana em nosso processo formativo ou a atenção às persistências barrocas no Arcadismo, próprias ao livro de Sérgio Buarque, e ainda a delimitação distinta de objetos – enquanto um visa a gênese do Arcadismo, ressaltando o peso do séc. XVII, o outro privilegia a continuidade da incorporação arcádica pelo Romantismo –, a par da afinidade de propósitos, tornam esses livros, e seus autores, um exemplo ímpar de complementação e colaboração intelectual.

Referências bibliográficas

HOLANDA, Sérgio Buarque. Caminhos e fronteiras. São Paulo, Companhia das Letras, 1994.
HOLANDA, Sérgio Buarque. Capítulos de literatura colonial. São Paulo, Brasiliense, 1991.
CANDIDO, Antonio. Formação da literatura brasileira. Belo Horizonte, Itatiaia/Edusp, 1975.

Fonte: https://blogdaboitempo.com.br

INSCRIÇÕES PARA O ENEM 2016 JÁ ESTÃO ABERTAS



Já estão abertas as inscrições para o maior exame educacional do país, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2016. Elas podem ser feitas exclusivamente pela internet, até as 23h59 do próximo dia 20, mediante taxa de R$ 68. A estimativa é de que 8 milhões de estudantes se inscrevam no Exame. 
A inscrição no Enem 2016 permite que o candidato concorra às vagas oferecidas pelas instituições públicas de ensino superior, por meio do Sistema de Seleção Unificada (SiSU), e às bolsas de estudo integrais e parciais em instituições privadas de educação superior, pelo Programa Universidade para Todos (ProUni). 
O participante do Enem também pode se inscrever no Sistema de Seleção Unificada da Educação Profissional e Tecnológica (Sisutec), para cursos técnicos; no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), no Programa Ciência sem Fronteiras, obter certificação de conclusão do ensino médio e ingressar em instituições de ensino superior de Portugal
Inscrição
Para se inscrever, o candidato deve fornecer número de CPF próprio, documento de identidade, endereço de e-mail pessoal válido e único e criar uma senha de acesso. Além de dados pessoais e escolares, é preciso informar a opção de língua estrangeira, cidade para realização das provas, necessidade de atendimento específico ou especializado e se deseja participar do Exame para obter o diploma de ensino médio.
As opções podem ser alteradas somente durante o período de inscrição. É recomendável que os candidatos mantenham endereço de e-mail e telefone atualizados, já que o Inep pode utilizar esses meios de contatos para enviar informações importantes sobre o exame. 
No caso de autismo, dislexia, déficit de atenção, discalculia, deficiência intelectual ou outro atendimento especializado, será exigido o envio de documento comprobatório, de 1º a 8 de junho, por meio da Página do Participante. Travestis ou transexuais que pretendem ser identificados pelo nome social também devem encaminhar cópia de documento de identificação, foto recente e formulário disponível on-line, preenchido, neste mesmo período. 
Já os resultados do Exame para certificação do ensino médio podem ser utilizados por estudantes com 18 anos completos até o primeiro dia de realização das prova. Para isso, os interessados deverão indicar uma das Instituições Certificadoras, no ato da inscrição, e atingir o mínimo de 450 pontos em cada uma das áreas de conhecimento do exame e o mínimo de 500 pontos na redação.
Isenção
A taxa de inscrição deverá ser paga até as 21h59 do dia 25 de maio em qualquer agência bancária, casa lotérica ou agência dos correios. Estudantes de escolas públicas que concluirão o ensino médio esse ano serão automaticamente contemplados com a isenção da taxa de inscrição
Os candidatos que cursaram o ensino médio completo em escola pública ou como bolsista integral em colégio particular e que pussuem renda familiar mensal de até 1,5 salário mínimo por pessoa poderão solicitar a gratuidade, mediante declaração de carência socioeconômica. O mesmo vale para estudantes com renda mensal de até meio salário mínimo por pessoa ou total de três salários mínimos.
Vale ressaltar que os participantes que obtiveram isenção no Enem 2015 e não compareceram para a realização das provas não terão direito ao benefício nesta edição. Os que possuem justificativas deverão apresentá-las no sistema de inscrição, contudo, elas estão passíveis de análise pelo Inep.
Provas
O Cartão de Confirmação da Inscrição continuará sendo disponibilizado apenas pela internet. O documento, que deve ser apresentado no dia das provas, contém número de inscrição, data, hora e local de realização das provas, opção de língua estrangeira, indicação do atendimento e solicitação de certificação, se for o caso.
As provas serão aplicadas em 1.716 municípios, nos dias 5 e 6 de novembro, em virtude das eleições que acontecem no mês de outubro. Os portões de acesso aos locais de prova serão abertos às 12h e fechados às 13h, pontualmente, enquanto o início das provas está previsto para as 13h30.
O horário de abertura e fechamento dos portões é o mesmo para sabatistas, contudo eles serão acomodados em salas de provas onde deverão aguardar para iniciarem o Exame às 19h, no horário de Brasília, exceto nos estados AC/AM/MT/MS/RO/RR, nos quais as provas começarão às 19h do horário local.
No primeiro dia, os candidatos terão 4h30 para responder 90 questões objetivas sobre as áreas de Ciências Humanas e suas Tecnologias e Ciências da Natureza e suas Tecnologias. No segundo, serão concedidas 5h30 para as 90 perguntas sobre Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, Matemática e suas Tecnologias mais Redação. 
Novidades
Além de porta objetos, detectores de metais e o intervalo de 30 minutos entre o fechamento dos portões e o início das provas, o Inep coletará os dados biométricos dos participantes em algum dos dias de aplicação das provas, por meio de uma Ficha de Identificação Digital, como medida de segurança.
O órgão também desenvolveu um aplicativo para smartphones que fornecerá todas as informações sobre o Exame ao longo do processo, como cronograma, dicas, informações, mural de avisos e espaço do participante. Ele poderá ser obtido gratuitamente pelos participantes, que terão uma nova e segura forma de armazenar seu login e senha.
Além disso, foi lançado o Hora do Enem, plataforma de estudos que contará com simulados, exercícios, resumos, videoaulas, questões comentadas e planos de estudos personalizados para auxiliar os estudantes na preparação. Cadastrados no programa poderão, também, acessar uma biblioteca online com cerca de 600 videoaulas para o Enem, batizada de MECFlix.
Estude no Brasil Escola
Com o objetivo de contribuir no processo de preparação dos estudantes para o maior exame educacional do país, o Brasil Escola vai transmitir videoaulas gratuitas ao longo do ano, até a realização do Enem 2016. Os participantes também podem testar seus conhecimentos no simulado Enem, conferir dicassobre os conteúdos cobrados no Exame, resolver provas anteriores do Enem e estudar no site do Brasil Escola.
Mais informações podem ser obtidas pelo Edital ou pelo telefone 0800-616161.
Por Wanja Borges
Blog Canal da História.com